Para entender o que Simondon entrevê nos tubos eletrônicos, resgatamos sua distinção entre moldagem e modulação. Este é um dos conceitos mais originais e permeia diretamente sua leitura das válvulas termiônicas. Moldagem é a forma clássica de causalidade técnica. No molde do tijolo a forma é fixada antecipadamente, a matéria é prensada nele, a operação tem um começo e um fim. O molde impõe sua geometria de fora para dentro, e o processo se esgota na produção de um objeto discreto. Na modulação do tubo de elétrons triodo , a "matéria" é a nuvem de elétrons que sai do cátodo aquecido. A "forma" é o campo elétrico criado pela diferença de potencial entre a grade e o cátodo. Mas aqui, a forma não é uma cavidade estática. É um molde temporal contínuo — um padrão de potenciais que modula o fluxo de elétrons em tempo real, em escalas de tempo de bilionésimos de segundo. Um modulador é o "molde temporal contínuo" porque a circulação da nuvem de elétrons é equivale...
Um artigo da Wired de 2014, intitulado Um guia ilustrado para o novo motor radical da F1 , captura a atenção logo no primeiro parágrafo: os novos motores da categoria são tão radicais que a Fórmula 1 insiste que não se tratam de meros motores, mas de 'unidades de potência', grafadas com iniciais maiúsculas: Power Unit . Curiosamente, se invertermos a expressão para Unit Power , somos arremessados de volta a 1908, ano de lançamento do Ford Modelo T. O que para os tecnólogos é evolução, para Simondon é concretização. Mas o que torna um motor de Fórmula 1, com seu núcleo híbrido de 1,6 litro, mais "avançado" do que o motor de quatro cilindros de um Ford Modelo T? Para Simondon, a resposta não reside em uma simples lista de características, mas em um processo evolutivo singular. Ele vê os primeiros objetos técnicos como abstratos: seus componentes existem partes extra partes , cada um desempenhando uma única função isolada. No mecanismo do motor do Ford Modelo T, a válv...